segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pes-de-pato surreal

“Plac-plac-plac-plac...placplacplac...plac-plac-plac”...O silêncio foi quebrado e minha paz acabou nas mãos de um doido varrido. Lá embaixo estava ele, batendo umas nadadeiras de borracha uma na outra, que fazia um ruído seco e alto: “plac-plac-plac”. Era um rapaz, que executava um polichinelo com os pés-de-pato. Ficava olhando para o terceiro ou quarto andar e gritava um nome, que eu não entendia. Isso era coisa de alguém chamando a namorada? Bolas! Que coisa sem nexo, ficar batendo palmas e perturbando a vizinhança, que também chegava à janela, para conferir a fonte do desatino. Ele não cansava. Decidi tomar uma atitude.
Gritei. Você aí! Quer parar com isso! Pára com o barulho, seu maluco! Nem me ouviu. Me ignorou por completo. Que raiva me deu. Agora tem que ser água nele. Moto-contínuo a idéia, percebi que alguém já estava jogando água, mas eram umas gotinhas, que nem garoa. Isso não iria molhá-lo. Queria jogar um saco de plástico cheio de água. Dar um banho daqueles pra despachar de vez, aquele peste dali... Não foi isso que fiz.
Subitamente, só posso dizer isso. Subitamente, estava no térreo e indo ao encontro do destrambelhado. Ao chegar diante dele, tive uma percepção diferente do ruído. Não era mais plac-plac-plac. Que coisa estranha, era ping-ping-ping... Olhei para cima, na direção da janela. O ruído vinha dali e constatei que o plac, agora era ping. As gotas caíam ininterruptamente sobre a caixa metálica do meu ar condicionado vindo do aparelho de cima. Acabara de acordar!
Acredite, estava sonhando com um doido batendo palmas com pés-de-pato: plac-plac-plac, mas se tratava de uma perturbação real e meu inconsciente produziu um pesadelo. Ah, não! Levantar a essa hora.
Como não houvera resolvido a questão no sonho, agora, não tive escolha: joguei um tapetinho de banheiro sobre a caixa e voltei a dormir. Que delícia é o silêncio.


FIM
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