quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Reserva em Adrogué

dez anos vagueando no labirinto

por espelhos quebrados,

sem ideal de desconformidade.



um labirinto de vastidões

onde os vazios são estreitos

cheios de águas brancas.



o minotauro alado sobrevoa TLÖN

não deixa recado, o mundo é dele.



o olhar escapado pelo absinto

não ameniza o abandono.

Viverei no hotel em Adrogué.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Muro de igreja

esquina dos encontros furtivos,
melhor é no muro da igreja
para apertos e amassos,
beijos e encostos.

Ouço seus gemidos, minha santinha,  
tantos pecados não confessados,
atiçados pelo fogoso cavalo
contido nos arreios dos jesuítas.

lampião da indecencia
atiradeira pra que te quero.
queima a luz da moral
e livra o desejo da inocencia,

a lembrança de seu corpo
encostado no frio estuque,
seus cabelos em coque e
meus dedos avançavam ao toque
da orquídea ameaçada pelo estrume
do indomável potro.

Sorrio dessas imagens
distantes pelos séculos
e sinto o perfume
das damas da noite,
exalando a presença
dos eternos amantes.  



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Quimera Elétrica





Entre os cactos por testemunhas,
o ventre nebuloso rompeu-se.
O peso da massa eletromagnética
faz o ser incorpóreo surgir
esbranquiçado por tramas
ensandecidas de raios elétricos.


Seus passos são descargas
mortais aos infortunados,
impiedosos por natureza
marcam uma devastação
desapaixonada.


Não há risos nem lágrimas,
tão-somente poder e expressão.
Poder por ser tão expressivo,
tão grandioso, por ser tão
para além da morte.


Quimera elétrica nascida do ventre
das nuvens moventes.
Quimera cuja mãe é água
e cujo pai é céu.
Quimera sem nexo, sem sexo,
parte o céu em duas metades,
descarrega trovões pela língua de fogo,
perambula ao esmo, sem tino e sentido.


Quimera fétida de enxofre,
filha das trevas do terceiro céu.
seu antídoto é a fria terra,
pois engole suas faíscas traiçoeiras
e  espinhos elétricos.
Acalma sua fúria de relâmpagos
como um colo de mãe, afaga
o seu ser não-ser.


Bonanza.
Ventos leves sopram e empurram
as nuvens cansadas e combalidas
pelos embates inorgânicos.
Os elementos se recompõe
e a antimatéria se defaz
e faz a vida renascer.

















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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Olhar de palha

um banco de cor branca,
um caminho liso,
um olhar de palha...
trançada,
interrompe a calçada,
como o silencio das pausas,
ou o teto branco
do quarto.

uma mente esquecida
um barco ardente
um jogo de xadrez.
nada se conecta
nesse mundo de games;
o banco vazio
assiste em suas costas
a preocupação dos desocupados.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Submarino fenício é descoberto no Brasil

Descoberto em longínqua praia do Rio de Janeiro, um submarino fenício totalmente petrificado. Trata-se de um achado de grande valor arqueológico e que alterará o entendimento tecnológico da antiga civilização da Mesopotâmia.
Qual seria o sentido de um submarino fenício no litoral brasileiro? Alguns pesquisadores levantaram hipóteses de ligações com a Pedra da Gávea, que teria sido uma espécie de farol  energético dos OVNIs e estes, teriam feito contatos com os antigos fenícios, que foram os verdadeiros descobridores do Brasil, na remota época de 1600 anos AC.
No flagrante ao lado, vê-se pesquisadora observando o casco do submarino, assim como percebe-se a proa fendida, provavelmente o resultado do choque com rochas, ocasionando a perda do dispositivo navegante. Acima percebe-se a escotilha superior.
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Interferências

linhas interferentes

planos adjacentes

luzes incidentes

sombras emergentes

elementos permanentes

reflexos irreverentes

traço ascendente

descompassa a decupagem

o peixe

o pescador

o fotógrafo
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ócio demais...

 ...vira                                                                          
                                                                                          
















 criação de A.SilvérioPosted by Picasa

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Em tempos eleitorais


Nada melhor do que lembramos algumas frases de Bakunin:
"Se você toma o mais ardoroso revolucionário e vesti-lo de poder absoluto, dentro de um ano ele se tornará pior do que um Tsar."
"Rejeição absoluta a qualquer autoridade, incluindo aquela que sacrifica a liberdade para a conveniencia do estado."
"A liberdade do homem consiste somente nisto: ele obedece somente as leis da natureza, porque ele proprio as reconhece como tal e não porque lhe foram impostas por qualquer vontade estranha, seja o que for, humana ou divina, coletiva ou individual."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Emma Goldman - anarquista libertária

"Se não posso dançar, não é minha revolução"

Esta frase de Emma Goldman revela seu espírito libertário.
Aqueles que se acham livres, são os mais aprisionados. O individualismo forjado pelo liberalismo é a pior alienação política e social em toda história humana.
Muitos jovens, depois dessas eleições de 2010, pensarão ter liberdade para dançar, mas não a terão seja qual for o resultado.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Perambulação

Ando por aí mesmo e
não me canso mais como antes.
Também não vejo os outros...
não sei, tudo ficou esquisito.

O vento passa por baixo e
o capim nasce no alto.
Sinhá Carminha,
nem liga e nem me chama,
chego a pegar a enxada,
mas não tem mais cabo...
olho as mãos, não vejo os calos, nem a escada.

Nunca subi pros quartos.
Quem encera lá, é a Bastiana,
que também passa o escovão.
Embaixo sou eu, faço tudo:
carrego, capino,
mato e limpo os bichos.
O Sinhô Altamir come e dorme.
Se ele mandar pegar um leitão,
nem sei o que vai ser,
nunca mais vi um solto.

Tudo é estranho,
já não conheço esse povo novo,
mas não arredo o pé daqui,
os meus vão voltar e aí, já tô aqui.
Vai ser uma reclamação só!














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Tic Tac

Amo tictacs. É muito bom ouvir o relógio trabalhando, mas tem que ser relógio de corda. Isto é importante, pois lhe compete abastece-lo de energia, dando-lhe corda diariamente.
Depois, menos constatar horas e mais sentir na alma o tempo escorrendo. Vão os segundos, os tics seguidos de tacs, os minutos, as horas, os tics repetindo-se entre os tacs.

Quando a corda se enfraquece, os tictacs se ressentem também, falta-lhes o vigor sonoro de suas batidas, e, quando no limiar da parada, com o compasso alterado, parece-me que o tempo, soberano, esmaga com seu peso infinito, em sua própria inexistência, as vãs autorreferencias humanas.

Vez ou outra, isso ocorre, é uma inquietação pertubadora, saber que esse tempo, que sai do passado em direção do futuro, é uma invenção humana. O tempo orgânico.

Diariamente, tomo o relógio de xadrez nas mãos, dou-lhe corda, acerto as horas e relaxo de novo, no escoar incessante do tempo ocioso.
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terça-feira, 22 de junho de 2010

Vida de Ascensorista


– quinto andar, por favor.
– oi, doze.
– treze.
– vou pro sétimo.
– bom dia, décimo.
­– quinto andar.
– Sobe!!

Vrumm plac!

– quinto andar!

Tum! Vrum!

– dá licença, obrigada.

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– sétimo andar. Subindo!
– obrigado.

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– décimo segundo.
– o senhor não parou no dez, quer marcar, por favor.

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– décimo terceiro...Desce!!
– descendo?
– descendo.

Tum! Vrum!

– décimo andar.
– até que enfim.

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– térreo. Sobe!
– décimo primeiro, por gentileza.
– pois não, senhora.
– quarto, mas...como estava dizendo, ele acabou descobrindo tudo, minha filha, foi um escândalo...

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– quarto andar!
– e os dois continuam trabalhando aqui?
– continuam, você precisava ver...
– sobe!

Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– décimo primeiro, senhora.
– obrigada.
– de nada.

Vrumm plac!

– fala negão, viu o jogo de ontem?
– terceiro, valeu?
– aquele jogo horroroso.
– nono andar.
– não achei, não! Pô, tu não viu o Pet, como jogou?
– oito, por favor.
– subindo!
– hei, moço, espera.

Vrumm plac!

– o onze, obrigada, viu.
– pô, ele fez um golaço.
– terceiro andar.

Tum! Vrum!
...
Vrumm plac!
Trim, trim

– que é?
– já viu a morena aí atrás de você, ô trouxa.
–Deixa eu trabalhar...Oitavo andar!
– valeu, negão.

Tum! Vrum!
– nono andar.
Vrumm plac!
...
Tum! Vrum!

– décimo primeiro andar.
– moço, é aqui que fica a loja de conserto de relógio, não é?
– é ali, moça. Segue em frente, é a porta de vidro a direita.
– obrigadinho.

Vrumm plac!
Trim, trim

– que é dessa vez.
– que é que ela queria?
– não enche rapaz. Desce!

Tum! Vrum!

– desce!

Vrumm plac!

– Pô, cara. Tenho que ir a quatro bancos, olha o monte de coisa pra pagar.
– e aí, seu Antônio, firme aí nas paradas?
– como sempre. Desce!

Vrumm plac!

Tum! Vrum!

– térreo. Sobe!
– o INCB, fica no oito, né?
– não, no nove.
– é pra lá que vou.
– treze...então cara, tu tem que fazer alguma coisa, vai deixar assim mole?
– por favor, o doze.

Vrumm plac!

– a única coisa que dá cana é não pagar pensão.

Tumm prac tum

– uau, o que foi isso? O elevador parou, ai meu Deus.
– ô José, o gerador entrou?

Prac tumm prac

– é assim mesmo, de vez em quando acontece, mas o gerador já entrou.
– nono andar.
– acho que vou descer aqui, também.

Vrumm plac

– décimo.

Vrumm plac

– décimo terceiro.
– valeu, chefe.
– descendo!
– obrigada, moço.
– de nada. Resolveu teu assunto na relojoaria?

Vrumm plac

– eles disseram, pra “mim” voltar na outra semana.

Tumm prac tum

– ai moço, o que tá acontecendo? Ai, moço, me acode. Por que parou?
– calma moça, espera, não precisa ficar apavorada, já vai resolver.
– ai, moço. Vou chorar, eu tenho medo de elevador parado. Me dá a mão, moço.
– calma moça, não vai cair não, moça...Espera aí... Não me agarra.

Trim, trim

– calma, deixa atender o interfone, espera.
– ai, ai, ai, ai. Meu Deus! Me tira daqui, moço.
– O que houve aí embaixo, agora?
– deu um breique aqui no disjuntor, você tá aproveitando, hein negão.
– vai à merda, porra!
– moço, o senhor tá me xingando?
– não, moça, tô xingando a besta lá de baixo.

Prac tumm prac

– pronto, moça, já estamos descendo.
– glória a Deus, bem que minha mãe falou pra eu ir à igreja de manhã.
– Chegamos. Vai com Deus minha filha.
– Vai subir, moço?
– Não! Enguiçou, esperando a manutenção, pega o elevador 2...Tu não é mole, vai acabar despedido, vai ver!
– Chega aí, Antonio. Que coisinha, hein? Botei na tua mão, hein. Quero ver tu fazer isso comigo.
– vai esperando, cara de pau. Isso não se faz. Não me aproveito de ninguém. Vou desligar aquela câmera, quando você tiver na portaria e tem mais, vou falar com o supervisor a teu respeito. Não tô aqui, pra brincar contigo, não. Moleque!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desvario Real

No devastado campo,
entre linhas e colunas,
sem mais as hereges eminências,
nem os valentes cavaleiros e peões,
nem mesmo castelos e Ladies MacBeths,
ainda vivos, os obstinados reis,
insanos como Lear,
permaneciam entreolhando-se.
A despeito dos seus alter egos,
agiam como robôs rebeldes.
O Branco Hamlet invadido
por fantasmas procurava ferir,
o rei usurpador.
O Negro Otelo acometido de violentos ciúmes,
fugia das assombrações do coração,
não sem antes entregar sua amada Dama à morte.
Rd5 - Re8
Re6 - Rf8
Qual deles sucumbirá a maior ira?
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Ciranda de Luz


Súbita interferência no negro,

riscos lumínicos tranversais

explodem no espaço vazio.

Os vértices de velozes fractais

ferem a quietude do nada negro;

o branco jorra em leitoso passeio

o véu sobre a ciranda de luz.


Uma assembleia vermelha

de corpúsculos abraçados,

saltiltam frenéticos, sobre o negro nada negro.

Fugazes vermelhos dançantes,

enevoados pelo branco véu.

Fugazes vermelhos dançantes, enevoados pelo branco...

Fugazes vermelhos dançantes...

Fugazes vermelhos...

Fugazes...

...

terça-feira, 11 de maio de 2010

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

José Celso dará workshop no Rio!


O workshop do Zé Celso acontecerá de 07 até 11 de Dezembro de 2009.
Local: Centro Cultural Calouste Koubenkem.
Rua Benedito Hipólito 125, Pça Onze - Rio de Janeiro
Horário: das 18h à 01h da manhã.

Ele estudará o espetáculo "Cacilda !!!" (do TBCéli à Glória da Rainha Decapitada), peça que recontará a vida de Cacilda Becker no período fértil de sua carreira no TBC ( Teatro Brasileiro de Comédia).
Ano passado ele esteve no Rio e selecionou duas atrizes para integrarem o elenco dos espetáculos Cacilda !!! e "O Banquete" de Platão.
Esta pode ser a sua chance!
As vagas são limitadas!
O valor do workshop é R$800,00
Os telefones para contato são: (21)2512-4903 ou (21)8229-9889 com Thiago Chagas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Orgia Solar

A mente flutua numa ausência,
num vazio de palavras,
nada a dizer,
apenas flanar na vastidão dos espelhos
planos, côncavos e convexos;
nas imagens multiplicadas
ou divididas, já não sei ao certo,
são tantas, que me aborreço.
São imagens de corpos sobre corpos
desnudos, carnudos e libidinosos,
amontoados e lambuzados,
numa orgia solar quase religiosa.
Minhas pálpebras aquecidas reagem fastidiosas.
Flutuo sobre os corpos espelhados,
nada a dizer, sou um reflexo,
das massas abdominais,
dos bíceps e tríceps,
panturrilhas e glúteos.
só imagens de imagens.
Um labirinto sem fim.