quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quimera Elétrica





Entre os cactos por testemunhas,
o ventre nebuloso rompeu-se.
O peso da massa eletromagnética
faz o ser incorpóreo surgir
esbranquiçado por tramas
ensandecidas de raios elétricos.


Seus passos são descargas
mortais aos infortunados,
impiedosos por natureza
marcam uma devastação
desapaixonada.


Não há risos nem lágrimas,
tão-somente poder e expressão.
Poder por ser tão expressivo,
tão grandioso, por ser tão
para além da morte.


Quimera elétrica nascida do ventre
das nuvens moventes.
Quimera cuja mãe é água
e cujo pai é céu.
Quimera sem nexo, sem sexo,
parte o céu em duas metades,
descarrega trovões pela língua de fogo,
perambula ao esmo, sem tino e sentido.


Quimera fétida de enxofre,
filha das trevas do terceiro céu.
seu antídoto é a fria terra,
pois engole suas faíscas traiçoeiras
e  espinhos elétricos.
Acalma sua fúria de relâmpagos
como um colo de mãe, afaga
o seu ser não-ser.


Bonanza.
Ventos leves sopram e empurram
as nuvens cansadas e combalidas
pelos embates inorgânicos.
Os elementos se recompõe
e a antimatéria se defaz
e faz a vida renascer.

















Posted by Picasa
Postar um comentário