quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ensolarada varanda

Ensolarada varanda,
onde nada acontece.

O menino no alpendre,
assiste de frente
a negação do vento,
o chão de cimento,
as formigas mudas em marcha,
o anão de jardim sem graça.

Da bacia de lata emborcada,
o silêncio da manhã, no repente
da calma complacente,
deflorado é, pela água entornada.

Corre e desmancha o cinza
da calçada lisa em chumbo;
inunda todos os mundos,
enche os pés numa piscina,
arrasta para longe as saúvas
e faz a graça da lisura.

Ensolarada varanda,
onde tudo acontece.

­– Pedrinho! Tá na hora, vem tomar banho!
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